Paraná... [ASN] Às margens do Lago de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), 89 líderes de Desbravadores enfrentaram o chamado "Curso de Sobrevivência" organizado pela Associação Norte Paranaense em parceria com o Exército Brasileiro. Foram quatro dias de combate aos "Três efes", ou seja, enfrentando a fome, o frio e a fadiga. Comandados pelo subtenente José Vicente Garonce, os jovens aprenderam a procurar alimento na mata, se localizar utilizando a bússola, transportar feridos e sobreviver comendo apenas uma vez por dia alimentos vegetais.
"No primeiro dia, nós vimos pessoas fazendo careta para comer o sopão nutritivo. Mas no quarto dia de curso não havia mais o luxo de saborear a comida. Todos comiam para sobreviver", conta Osni Maciel, um dos organizadores do curso.
Apesar da correria e das inúmeras atividades promovidas pelo curso, no sábado, os desbravadores realizaram uma programação especial no bairro de Três Lagoas. Foram entregues 500 livros e 400 DVDs evangelísticos na região. Em seguida eles voltaram a pé para o acampamento.
Com sensação térmica de 10º Celsius negativos e sob muita chuva os líderes simularam, de forma bem real, como fariam para sobreviver em circunstâncias desfavoráveis. "No sábado à noite, caminhamos cinco quilômetros com chuva forte e quando chegamos ao acampamento tudo estava destruído. Os líderes tomaram a frente e reconstruíram as cabanas. Isso me marcou muito", conta Osni.
Ao acordar, 6 horas da manhã, os participantes necessitavam encontrar comida para o desjejum, que acabava chegando apenas no fim do dia. "Se não encontrasse comida, ficava sem mesmo. Na mata é assim. Nós é que estamos acostumados a receber tudo de graça em casa", conta um participante.
Normalmente cursos como este têm atividades de caça, mas o Curso de Sobrevivência promovido pelos oficiais do Exército Brasileiro da Tríplice Fronteira foi único devido ao cardápio. "Este foi o primeiro curso de sobrevivência exclusivamente vegetariano que realizamos", conta o subtenente Garonce.
"Quando chegamos recebemos um tanto de alimentos vegetais para dividir em quatro dias", explica um líder. O que eles tinham para comer era batata, repolho, cebola, cenoura, mandioca, 1 kg de sal.
Mesmo perante tantas dificuldades, os jovens viram as belezas da selva. "Vimos aranhas armadeiras e cobras jararacas", lembra um jovem. No total foram 96 horas de muito esforço.
[Equipe ASN – Patrícia Ferreira]
