Saindo da selva
Mai se encolheu quando a mulher que ela chamava de mãe gritou com ela novamente. “Por que ela me trata desse jeito?”, se perguntava. Seus pais tinham morrido quando ela era bebê, e uma família a acolheu. Mas ela sabia que eles não a amavam, pois diziam isso repetidamente.
A vida na selva do Laos era difícil. O povo Hmong vivia com medo dos soldados que percorriam o interior do país em busca de “traidores”. Mai e sua família adotiva moravam em um abrigo feito de galhos de árvores e folhas. Diariamente, Mai buscava lenha, ajudava a preparar as refeições e colhia alimentos.
Salve sua vida!
Certo dia, Mai ouviu som de tiros nas redondezas. A aldeia explodiu em uma massa de pessoas gritando, correndo e empurrando para escapar dos soldados. Balas zuniam e pessoas caíam ao chão. O terror da guerra tinha chegado à aldeia de Mai.
Ela agarrou a irmãzinha, Kia, e fugiu para a selva. Estavam sozinhas. Ela só parou de correr quando não mais ouviu os tiros. A pequena Kia choramingava de fome. Mai a colocou no chão e vasculhou a área a procura de algo para comer: plantas, pequenos animais, até mesmo carvão e argila amarela pegajosa, qualquer coisa para encher o estômago vazio.
Mai descobriu outras crianças que fugiam dos soldados.
– Devemos ficar juntas e ajudar umas as outras – Mai disse.
Mai tinha apenas 11 anos de idade, mas tornou-se a líder.
Clamando ao Senhor do Céu
As crianças mudavam de lugar constantemente para não serem capturadas pelos soldados. Quando Mai ouviu alguns adultos falando sobre campos de refugiados na Tailândia, decidiu segui-los em busca de liberdade.
Certo dia, quando o grupo caminhava em direção à fronteira, os soldados inimigos, que estavam escondidos, começaram a atirar. Mai clamou em silêncio: “Senhor!”
Ela nunca tinha ouvido o nome de Deus e não O conhecia, mas, em seu desespero, clamou ao Senhor do Céu, que os mais velhos diziam ter criado tudo. De repente, os soldados pararam de atirar e adormeceram.
– Corram! – Mai sussurrou para as outras crianças.
Ela esperava ouvir tiros atrás delas, mas tudo que ouvia era o bater do próprio coração. O Senhor do Céu tinha ouvido a oração e salvou as crianças!
Campo de refugiados
Depois de meses de luta na selva, Mai cruzou a fronteira da Tailândia e encontrou o campo de refugiados que estava procurando. Nunca mais ela teria medo do som de passos, não cavaria raízes, nem comeria argila para encher o estômago. Ela teria arroz e legumes para comer.
Mai permaneceu no campo de refugiados durante vários anos. Alguém percebeu seu interesse pelas coisas espirituais e insistiu que ela se tornasse xamã, uma líder religiosa que, acreditava-se, podia curar doenças e trazer boa sorte para as pessoas, clamando aos espíritos. Mai se tornou xamã.
Ela se casou e teve vários filhos. Quando seu esposo morreu, Mai se voltou ainda mais para a religião. Ela adorava os espíritos dos antepassados e conversava com eles. Em todo o acampamento correu a notícia de que Mai era uma boa xamã, e muitas pessoas a procuravam em busca de cura e aconselhamento. Durante os anos em que esteve no campo de refugiados, Mai ouviu pessoas falarem de Deus, que em Hmong significa Rei Senhor, mas não deu muita atenção.
Recomeçando
Depois de vários anos no campo de refugiados, Mai e seus filhos começaram uma nova vida nos Estados Unidos. Chegando ao novo país, ela continuou praticando suas crenças religiosas na comunidade Hmong.
Certo dia, Mai ficou seriamente doente. Foi internada no hospital e os médicos não sabiam se ela conseguiria se recuperar. Enquanto estava deitada na cama do hospital, sem conseguir falar nem abrir os olhos, Mai se lembrou do dia em que pediu ajuda ao Senhor do Céu. “Senhor do Céu, salva-me agora, assim como me salvaste nas selvas do Laos!”, Mai orou.
A saúde de Mai começou a melhorar. Ela percebeu, mais uma vez, que Deus havia poupado sua vida e quis saber mais sobre Ele.
Uma nova vida
Mai conheceu um pastor adventista e sua esposa, os quais lhe falaram sobre Jesus e a convidaram para o culto com outros cristãos Hmong. Hoje, Mai sabe que o nome do Senhor do Céu é Jesus. Embora ela não saiba ler nem escrever, gosta de dizer aos outros como Jesus a conduziu através dos perigos da selva e a trouxe para uma nova vida em uma nova terra. Ela também conta como Deus a tirou de suas crenças tradicionais e a transformou numa seguidora dEle.
– Desejo que o povo Hmong conheça meu Deus, que criou o mundo e Se importou comigo mesmo antes que eu soubesse Seu nome.
Mai Yang partilha sua fé em St. Paul, Minnesota, nos Estados Unidos.
Resumo Missionário
• O povo Hmong vive no sudeste asiático e na China. A maioria dos refugiados Hmong tem, no máximo, quatro anos de escolaridade. Muitos são semianalfabetos. Eles não sabem ler nem escrever em seu idioma nativo.
• Os Hmong, em sua maioria, são adoradores de espíritos.
• Atualmente, cerca de 300 mil Hmong vivem na América do Norte como refugiados. Sete congregações adventistas estão espalhadas por toda a Divisão, mas eles não têm pastores de tempo integral. Parte da oferta do décimo quarto sábado ajudará no treinamento de obreiros que aprenderão a liderar esses grupos para que eles possam, de maneira mais eficaz, compartilhar o amor de Deus com seus colegas refugiados.
